Estava eu, na cama da minha mãe fazendo a unha... Súbita crise de auto-estima. Aliás, acho que é decorrência do fato dela estar muito baixa. Enfim, enquanto eu me machucava soltando a cutícula fina de minhas mãos via a novela. E a pobre coitada da menininha foi traída pela ducentésima vez pelo namorado. Vocação pra corna, amor, masoquista... Chamem do que quiser. O amigo tudo-de-bom-completamente-apaixonado-de-olhos-azuis foi consolar a menina. E vejam só! Deixou escapulir que gostava dela. E claro, que rolou aquele beijo completamente apaixonado.
Os olhos são o espelho da alma.
Clichê, totalmente piegas.
Mas tem que rolar o olhar. Eu não admitia ficar com amigos meus justamente por causa disso. Não tinha essa magia, esse encanto do primeiro olhar que congela, tira o ar, desnorteia e encanta. Quem nunca sentiu isso, que atire a primeira pedra!E fique tranqüilo, um dia sentirá. É mágico, fantástico e inexplicável. Uma das coisas mais gostosas de se sentir. E é aquele momento que você não esquece. Ainda lembro perfeitamente de quando aconteceu comigo. A primeira vez, claro. A primeira vez a gente nunca esquece...
Sabe o que é mais legal? Ficou só no olhar. O porquê de ter ficado só no olhar, nessa coisa platônica não vem ao caso. É angustiante e intrigante não saber como é o beijo. O abraço, eu sei! E ficou nisso. Nessa dor anestésica. Sempre lembro dele nesses momentos. Fico me perguntando como seria encontrá-lo hoje. Se ia rolar o mesmo clima... O mesmo abraço... O mesmo olhar. Uns anos atrás queria muito reencontrá-lo. Atualmente, acho melhor esse encanto ficar aqui guardadinho nas minhas lembranças. Ouvi uma vez que o amor impossível - primeiro amor... algo do tipo... aquele amor que não seguiu adiante por motivos alheios à vontade- fica pra sempre, pois não lhe foi dado tempo da decepção chegar.
tanto a elas incita as almas dos jovens.
Uma vez que cada alma do mundo possui um amor inerente a sua substância,
porque não teria também nossa alma um amor dessa ordem?
É ele quem inspira a cada alma os desejos que,
por sua natureza, ela pode sentir;
e cada alma gera segundo sua natureza,
um amor em harmonia com sua dignidade e essência".
Platão.












